O Programa TEACCH


O TEACCH – Treatment and Education of Autistic and Communication Handicapped Children (Tratamento e Educação de Crianças Autistas e com Desvantagens na Comunicação), é a sigla adotada por um projeto de saúde pública estadual disponível na Carolina do Norte, EUA, que oferece serviços voltados para pessoas com autismo e outros transtornos do espectro do autismo e suas famílias.


Por tratar-se de um projeto abrangente, com uma abordagem suficientemente flexível para ser adaptável, desde a década de 80 o TEACCH foi tomado como referência em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, embora sua implementação completa continue sendo na Carolina do Norte.


O TEACCH não pode ser tomado como um método. É um programa que tenta responder às necessidades individuais da pessoa com autismo se valendo das melhores abordagens, técnicas, estratégias, e métodos disponíveis até o momento para educá-los e para oferecer o nível máximo de autonomia e inserção social que elas possam conseguir.

Segundo Gary Mesibov, atual diretor do TEACCH, um princípio permanente e valioso do Programa é a idéia de instigar e manter o espírito de colaboração e cooperação, inclusive para tentar ajudar a comunidade a entender o autismo. A teoria essencial é entender que as pessoas com autismo são diferentes. O autismo afeta sua forma de apreender o mundo – de falar, de comer, de se comunicar, etc – mas não tem nada de errado ou degradante. Partindo dessa premissa, o movimento então seria em direção ao respeito pelas diferenças que o autismo cria em cada pessoa e na promoção do apoio e facilitação que eles precisam.


Os esforços terapêuticos e educacionais não são no sentido de curar ou de fazer as pessoas com autismo serem normais. As técnicas e estratégias, tais como a extra-clarificação visual, os sistemas alternativos de comunicação e os painéis de rotina, não são usados porque foram inventados, eles foram propostos a partir de anos de estudo cuidadoso e são elementos que os indivíduos com autismo precisam, como um cego precisa de Braille ou alguém de óculos. É uma forma de reconhecer as diferenças sem tomá-las como um impedimento e construir com isso algo positivo.

A seguir, alguns princípios e conceitos básicos norteadores do TEACCH (Schopler & Van Bourgondien, 1991; Schopler, 1995)

  • Promover a adaptação de cada criança em duas estratégias interatuantes: a) melhorar todas as habilidades de compreensão através das melhores técnicas educacionais disponíveis e b) na presença de um déficit envolvido, entender esta diferença planejando estruturas ambientais que possam compensá-la, tornando assim o ambiente mais compreensível.
  • Colaboração com os pais: que trabalham com os profissionais como co-terapeutas
  • Avaliação para elaboração e ajustes do projeto terapêutico individualizado: que permite uma compreensão individualizada de cada criança, tanto dos déficits quanto das aptidões.
  • Ensino Estruturado: que facilitam e beneficiam as crianças com autismo, muito mais que as abordagens livres.
  • Otimização das habilidades: a avaliação identifica as habilidades emergentes e o trabalho é focado nelas. Esta estratégia é também aplicada aos profissionais e aos pais.
  • As teorias cognitivistas e comportamentais são as mais úteis: pois sugerem que o comportamento difícil pode ser resultante de problemas na percepção e compreensão e guiam tanto a pesquisa como os procedimentos educacionais desenvolvidos pelo TEACCH.
  • Um modelo generalista: profissionais, independente da formação específica são capacitados como generalistas. Supõe que desenvolvam a capacidade de lidar com toda a ampla gama de problemas provocados pelo autismo e que assumam responsabilidade pela criança como um todo.

Jornal Autismo Brasil, volume 1, pag. 03. Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP; ABRA; AMA/SP. Março, 2005.