Autismo – Apresentação Clínica

O autismo é um grave transtorno do desenvolvimento, descrito pela primeira vez em 1943, pelo psiquiatra austríaco Leo Kanner, e pressupõe alterações nas seguintes áreas:

  1. Interação Social
  2. Comunicação
  3. Interesses e atividade

Embora não se conheça ao certo as origens e, menos ainda, a cura, sabe-se que o autismo é congênito, determinado em grande parte pela genética, mais possivelmente por dezenas de genes.

Estima-se que em cada 1.000 pessoas, 6,7 tenham autismo.

Center for Diseases e Prevention

A psiquiatra inglesa Lorna Wing formulou o conceito de espectro autístico, referindo-se à larga gama de manifestações possíveis com comprometimentos na sociabilização, comunicação e imaginação (interesses), desde o retardo mental severo à inteligência normal com habilidades muito acima do normal em algumas áreas.

Pessoas autistas não necessariamente têm retardo mental. Existem pessoas autistas com inteligência preservada, que ainda assim apresentam alterações nas áreas mencionadas.

O diagnóstico é feito mais comumente por volta dos 3 anos de idade, quando a criança começa a apresentar atrasos significativos no desenvolvimento, mas em muitos casos já havia indícios perceptíveis antes disso.

Os distúrbios na área de sociabilidade incluem prejuízos nos comportamentos não verbais, na interação social (ausência ou diminuição do contato ocular, gestos, expressões faciais e sinais convencionais expressivos de desejo ou emoções), impossibilidade de desenvolvimento de relações sociais apropriadas, especialmente indivíduos da mesma idade, inabilidade em compartilhar interesses e satisfação com os outros e falha na reciprocidade social emocional.

Na área da comunicação os prejuízos incluem atraso ou ausência da fala e inadequação da linguagem. Crianças autistas podem verbalizar, mas não utilizar a fala para se comunicar. A ecolalia, isto é, repetição imediata ou tardia de sons e discursos ouvidos, é uma manifestação muito comum e não tem função comunicativa.

Nos indivíduos verbais falta a habilidade de iniciar ou manter uma conversa. Com freqüência a linguagem apresenta-se repetitiva e estereotipada. As brincadeiras imaginativas e atividades sociais são restritas ou mesmo ausentes.

Na categoria interesses e atividades, tem-se um comportamento estereotipado, incluindo rituais, rotinas não funcionais, maneirismos motores (dedos/mãos, “flapping” ou movimentos com o corpo) e preocupações com partes dos objetos (rodinhas, mecanismos, olhos de boneca).

Os indivíduos com quadro autístico podem mostrar pouco ou nenhum interesse por outras pessoas, falhar na relação empática e na percepção do desejo do outro (não se interessam pelo pensamento do outro).

Os seguintes comportamentos são típicos de crianças com desenvolvimento normal. A ausência deles em crianças de até 3 anos de idade sugerem uma possibilidade de diagnóstico de autismo:

  • Fazer contato ocular; “ler” intenções na expressão de outra pessoa. Ex.: um estranho entra no ambiente e a criança olha para o pai para saber se esta pessoa é bem-vinda.
  • Apontar objetos para pedi-los e para demonstrar seu interesse por eles.
  • Responder quando chamam seu nome.

Se a criança não apresentar os comportamentos acima e também não apresentar estes abaixo, deve-se encaminhar a criança para outras avaliações:

  • Se interessar por outras crianças.
  • Brincar de faz-de-conta.
  • Brincar com pequenos brinquedos, como carrinhos, sem morde-los ou joga-los.
  • Olhar para objetos apontados por outras pessoas.

Outras características que não determinam o autismo, mas muito frequentemente aparecem associadas à síndrome e podem auxiliar  na identificação da questão, são hiperatividade e distúrbios sensoriais, de fome e de sono.

Atualmente, há evidências de que com o diagnóstico precoce dos quadros autísticos e com a indicação de tratamentos adequados, o prognóstico seja melhor, aumentando as possibilidades de desenvolvimento dos recursos da criança portadora desse transtorno.

Existem dois manuais de classificação que propõem critérios para o diagnóstico (CID-10 e DSM-IV). Até o momento, não forma encontrados marcadores biológicos que confirmem o diagnóstico de Autismo. Entrevistas semi-estruturadas e escalas podem ajudar na investigação diagnóstica.

Jornal Autismo Brasil, Vol. 01, Pág. 02, Universidade Presbiteriana Mackenzie, ABRA, AMA-SP, Março, 2005.